Pressione enter para ver os resultados ou esc para cancelar.

Fim de ano estranho

O ano chega ao fim. Ano estranho, com desafios estranhos, dor, sofrimento e milhares de mortos, sem ao menos a despedida de um velório. Enterrados rapidamente, em valas abertas a trator, pelos cemitérios do Brasil.

A crise veio, viu e venceu. A recessão pegou forte, mas o país é um leão e reagiu com vigor, apresentando taxas de crescimento impressionantes, poucos meses depois da queda vertiginosa da atividade econômica.

Leia também: Começo de fim de ano

Até que ponto a retirada do auxílio emergencial vai derrubar esses números é algo que ainda não se sabe, mas a 25 de março e o Brás lotados nas semanas que antecederam o Natal são um sinal de que o brasileiro quer tocar em frente.

Aí mora o perigo. Tanto faz querer tocar em frente, a verdade é que a pandemia ainda está entre nós e as medidas de restrição devem ser levadas a sério.

O Brasil ainda não tem vacina e isto faz a diferença. Nosso Governo Federal não acreditou no vírus, não acreditou na pandemia e, no afã de copiar Donald Trump, não percebeu que o ex-presidente norte-americano se, de um lado negava a pandemia, de outro, incentivava a indústria a desenvolver a vacina. E a deles parece que é a melhor do mundo.

Leia também: Coisas boas que aconteceram em 2020

As pessoas estão impacientes, mas não adianta querer correr mais do que a pista permite. O resultado pode ser um desastre sério, com consequências graves para as vítimas. Quem tem pressa come cru.

É hora de baixar a bola. As férias deste verão serão diferentes das férias dos anos anteriores. É melhor aceitar que vai ser assim do que sair atirando para todo lado e acabar com Covid19. O mar não está para brasileiro fazer graça. É hora de muita calma e, no máximo, golfinho nadar.

Siga nosso podcast para receber minhas crônicas diariamente. Disponível nas principais plataformas: SpotifyGoogle Podcast e outras.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.