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Aqui e lá

 

Depois de morrerem mais de 500 mil americanos, eles aprenderam e agora estão dando show, vacinando mais de um milhão de pessoas por dia.

Mas não é só isso. Enquanto nosso Presidente não usa máscara, aconselha cloroquina e não compra vacina, os americanos, na era pós-Trump, pretendem ter vacinas suficientes para vacinar a população adulta até o fim de maio.

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Aqui e lá, as diferenças são imensas. Tão grandes que a Merck, uma das maiores farmacêuticas do mundo, irá produzir a vacina desenvolvida pela Janssen, da sua arquirrival, Johnson e Johnson. E a ideia é a parceria chegar a um bilhão de vacinas até o final do ano.

Aqui o quadro é outro, desalentador. Já batemos o recorde mundial de mortes por dia, cuja taça estava com os americanos. Agora não é mais deles, é nosso e ninguém toma.

O mundo inteiro se vacina e o Brasil segue a passo de cágado, não porque nossas equipes não sejam boas – estão entre as mais eficientes -, mas porque simplesmente não temos vacina. E, se tivermos, não teremos seringas e por aí vai, num pesadelo que parece não ter fim.

Nossa população é de mais de 200 milhões de pessoas. Ao ritmo de cem mil vacinados por dia, levaremos muito, mas muito tempo até imunizar todos os brasileiros que devem receber a vacina.

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Quem agradece é o vírus. Com a nova cepa de Manaus entrando em cena, a contaminação está aumentando, obrigando o Brasil a fechar as portas. Vermelho, vermelho, vermelho! Apesar do grande capitão dizer que não é assim que se faz e que os Estados pagarão a conta.

Se fosse viva, minha avó não perguntaria qual será o fim disto tudo. Todos sabem que vai acabar mal e que muita gente vai morrer antes de conseguirmos sair do buraco em que a irresponsabilidade nos jogou.

 

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.