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A deterioração do centro velho

 

O Centro Velho de São Paulo já foi modelo de cidade moderna, de desenvolvimento socioeconômico, de pujança e riqueza. Pelas suas ruas estreitas caminhavam diariamente os nomes mais importantes do país – banqueiros, industriais, comerciantes, políticos, advogados, médicos, engenheiros -, todos se cruzavam de alguma forma e em algum momento nas ruas da Boa Vista, Quinze de Novembro, Álvares Penteado, Direita, etc.

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A região abrigava lojas, clubes, faculdades, escolas, igrejas, tribunais, bancos, sedes de grandes empresas, alfaiates, camiseiros, Bolsa de Valores, Bolsa de Comércio, Secretarias de Estado, Secretarias Municipais, enfim, entidade públicas e privadas de todas as naturezas e importâncias.

Para receber o contingente de pessoas que trabalhava ou procurava esses endereços foram construídos prédios de todos os gêneros, para todos os gostos, numa mistura típica de capital nova, que explode sua testosterona, exibindo o que julga serem símbolos de poder.

Edifícios deslumbrantes, outros não tão deslumbrantes e outros ainda menos deslumbrantes dividiam espaço, democraticamente, na área demarcada pelo triângulo formado pelas igrejas do Pátio do Colégio, São Bento e São Francisco.

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Mas São Paulo anda pelo Planalto e a cidade se moveu, deixando o Centro Velho para trás. Nos últimos 50 anos, outras regiões foram ocupadas e já estão sendo abandonadas. E o Centro Velho viveu a experiência da decadência, inicialmente lenta, depois mais rápida, até chegar nos dias de hoje, quando sua queda se aproxima do abandono total, mesmo com a Prefeitura e suas Secretarias instaladas na região.

É triste, o quadro parece piorar dia a dia. Neste momento, há pouco que pode ser feito, mas é bom não esquecer que outras grandes cidades já passaram por isso e deram a volta por cima. Viva a esperança!

 

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

 

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.