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Ventania

Sábado de tarde é dia de não acontecer muita coisa, nem para um lado, nem para o outro. A rotina deveria seguir leve, sem maiores emoções, além da lembrança do almoço farto, com cerveja e direito a sobremesa, pudim de leite, salada de frutas com sorvete, etc.

A vida foi feita para correr em ritmos diferentes em diferentes situações. Mais depressa, mais devagar, lentamente subindo morro ou desabalada na descida da ladeira. Em estrada asfaltada ou em trilha de terra, tanto faz, cada momento é único e não se repete, até quando parece que estamos vendo o mesmo filme outra vez.

O céu escureceu rapidamente, mas o movimento das nuvens, ainda que veloz e trazendo uma massa escura, não prometia o tempo que entrou sem pedir licença.

De repente a ventania começou e foi ganhando intensidade, cada vez mais forte, enquanto a chuva desaguava com tudo, como que querendo mostrar que era mais poderosa que a ventania.

O vento passava feito louco, como se as forças da natureza precisassem mostrar que quem manda é ela. Que nós não somos nada, meros marionetes, diante da natureza e de seus movimentos.

O guarda sol estava fechado, mas, mesmo assim, o vento passando por baixo, levantava a lona, ameaçando criar um objeto voador capaz de causar dano se conseguisse decolar.

Entrei na chuva torrencial e retirei o guarda-sol de sua base. Os poucos segundos que fiquei debaixo da chuva me encharcaram até os ossos. Voltei para o terraço e fiquei vendo a tempestade. Em pouco tempo, a água começou a subir porque os ralos do jardim não davam vazão.

Poucos minutos depois, a chuva começou a diminuir e o vento amainou. Se mantivesse a toada, mais meia hora inundaria o bairro.

 

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.