O Ricardão está de mudança
[Crônica de 14 de janeiro de 2002]
Quem não se lembra do escândalo que foi a fuga do Ricardão com a estátua da mulher nua da praça da República? Para quem não se lembra, o Ricardão foi o primeiro boneco a prestar serviços para a CET, agindo heroicamente nas marginais, levando tiro e tudo, em defesa da ordem e da lei.
Ameaçado de morte por quadrilhas que agiam na região e sem encontrar o respaldo que esperava por parte das autoridades do setor, o Ricardão um belo dia enjoou e foi-se embora, com a estátua da mulher nua da praça da República, que, numa bela noite também se mandou, deixando seu pedestal vazio e a polícia intrigada.
Meses depois o mistério se desfez. O Ricardão e a mulher nua estavam vivendo muito bem, obrigado, num loteamento clandestino, no município de Mairiporã.
Mas se o Ricardão se mandou, cheio do descaso e desiludido com a falta de apoio das autoridades, ele deixou seus primos, os outros componentes da grande família Ricardão, tomando conta das marginais, ajudando a CET a colocar um pouco de ordem no caos.
Só que agora, mais uma vez São Paulo se vê ameaçada. É verdade que desde o tempo de João Ramalho que São Paulo se vê ameaçada, sem nunca ter acontecido nada de mais sério, a não ser a eleição de gente que não merecia ser eleita, para todos os cargos, nas mais diversas épocas.
Os primos do Ricardão, depois de anos servindo fielmente a cidade, decidiram que é hora de fazer o pé de meia e, como os jogadores de futebol, conquistar a Europa, que reconhece o seu talento e paga pela sua fama, incontestável, desde o primeiro, em 1993.
Os primos do Ricardão, menosprezados pela CET, estão de mudança para a França, que quer os seus serviços e paga bem por eles. Boa viagem Ricardões, e que Deus tenha piedade dos que ficam.
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