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O show dos ipês amarelos

 

Este ano não tem como não reconhecer: o show foi dos ipês amarelos. Os ipês roxos vieram com tudo, os ipês rosas encantaram a cidade e os ipês brancos se cobriram de neve, na sua singela homenagem a vida.

Mas quem deu o show, quem botou o bloco na rua, quebrou os paradigmas, rompeu as barreiras da beleza foram os ipês amarelos.

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Não me lembro de outras vezes em que estiveram tão carregados, tão densos, tão entregues à magia de se enfeitarem e enfeitarem a vida, intensamente, com vontade, com gana e garra.

Os ipês amarelos estão espalhados pela cidade. Por isso, de repente, um aparecia no meio de uma praça, se destacando entre as outras árvores, outro aparecia sozinho numa calçada, com as flores balançando na brisa.

Os mais erados cortaram de cima, na festa das flores lembrando o ouro arrancado das matas pelas bandeiras que varavam o sertão.

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Entre eles, o ipê amarelo da Santa Casa não fez feio. Grande, alto, com o tronco grosso, o ipê entrou em cena, como sempre, um pouco atrasado, na semana de 20 de setembro. Chegou meio como quem não quer nada, com uma floradinha no primeiro dia, para, nos dias seguintes explodir intensamente, como manda a boa educação dos ipês, que reza que sua missão é enfeitar a vida, e o da Santa Casa sabe que sua responsabilidade é maior do que a dos outros.

Poderia citar meia dúzia de ipês que se superaram, explodindo sua cor, mais densos ou mais suaves, mas todos profundamente amarelos, como se quisessem competir com o sol ou prestar uma homenagem ao poeta Paulo Bomfim que partiu para o sertão, encontrar seus antepassados.

Bem-aventurados ipês amarelos, que sabem que sua missão se confunde com seu destino e que a razão de ser de suas flores vai muito além de toda a filosofia, de toda a poesia que tenta cantar o indescritível.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

 

 

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.