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Um voo infernal

 

No dia 28 de novembro passei uma experiência complicada. Minha volta do Rio de Janeiro para São Paulo chegou perto do décimo segundo círculo do inferno, abrindo uma nova categoria de martírio para os santos sem muita convicção, que precisam um pouco mais de sofrimento para terem livre acesso a quase todas as dependências do Paraíso.

Tempo fecha e tempo abre. Às vezes o tamanho da encrenca é tão grande que os aeroportos suspendem os voos, condenando os passageiros às mais maquiavélicas criações do diabo, a maioria implementada pelas companhias aéreas, depois de um acordo para transporte de carga vantajoso, assinado por algum ministro do reino das trevas.

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O Flávio Correa e eu chegamos no aeroporto, depois de uma bela reunião, prontos para embarcar no voo da Gol, das dezesseis e trinta, com destino a São Paulo.

Nós estávamos prontos, mas São Pedro interferiu e nosso voo foi cancelado. Depois, o voo seguinte também foi cancelado, mas isso é outra história, que teve final feliz graças à Cintia, funcionária da Gol que fez o que pode para minimizar nosso sofrimento.

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Perto de trezentas pessoas tiveram que sair da área de embarque, retornar ao check-in e rezar para serem encaixadas em outro voo. Aí começou o martírio. Tinha um único funcionário atendendo. Um funcionário para trezentas pessoas! O Guilherme, que merece todos os elogios pela paciência e competência. Depois, chegou o Wagner. Esse sabe como fazer o passageiro irritado ficar com raiva. Pouco se lixou para prioridades por lei, fazia como queria, chamava quem queria e, quando interpelado, respondia malcriado, com cara e voz de fiscal de quarteirão de época de ditadura. É gente como ele que, nos momentos difíceis, em vez de ajudar, joga fora os esforços das companhias para melhorarem a imagem.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.