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As ruínas

São Paulo é cruel e fria. Cidade rica e relativamente antiga, cobra preços inacreditáveis para dar ao vitorioso a fama e o sucesso.

E as pessoas pagam. Pagam porque não imaginam a vida como algo diverso da luta diária pelo pão de cada dia.

Não imaginam que possa haver beleza fora do dinheiro ou do que o dinheiro compra.

Não imaginam que a vida se abra em outras oportunidades muito mais ricas do que as contas nos bancos.

São Paulo não perdoa. Recompensa o sucesso, mas cobra o preço brutal do sucesso ser dinâmico. Abre permanentemente a possibilidade de outro também fazer sucesso e ofuscar quem fazia sucesso antes.

A guerra é contínua e sem quartel. Cada um por si e Deus por todos. Seja o que ele quiser. Inclusive se quiser dinheiro, o apóstolo não hesita, joga tudo para cima e deixa ao tirocínio do Senhor pegar aquilo que desejar. O que o Senhor pegar é dele, o que cair de volta é do homem.

Democracia é isso. O resto é são formas mesquinhas de se querer levar vantagem.

Mas São Paulo não para. Em sua dança dramática vai correndo pelo planalto de um lado para o outro, criando a ilusão de que o novo é eterno.

Atrás vão ficando ruínas. Ruínas que foram palácios majestosos. Edifícios deslumbrantes. Centros de decisão que definiram os destinos da nação.

Aqui tudo passa. A cidade não se importa. Tem espaço para seguir em frente. Então, o último limite é apenas mais um limite. Tem sempre um depois que cumpre a conquista.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.