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A vez das sibipirunas

 

É interessante, mas não se fala muito sobre elas. E, no entanto, estão aí, firmes e fortes, floridas, com suas flores miúdas amarelas. São árvores imponentes, que crescem bastante e estão espalhadas pela cidade, plantadas principalmente nas calçadas dos bairros residenciais.

Seu verde claro se destaca na paisagem e, em alguns locais, plantadas uma ao lado da outra, as copas se juntam lá no alto e, vistas de longe, dão a sensação de que são uma única árvore, enorme.

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A florada das sibipirunas entra em cena logo depois da florada dos ipês amarelos e, como suas flores também são amarelas e volta e meia estão plantadas ao lado dos ipês, quem passa não percebe que são duas árvores diferentes. Não se dá conta de que se trata de duas floradas.

A diferença básica entre as sibipirunas e os ipês amarelos é a cor de suas copas. Os ipês têm as folhas muito mais escuras e maiores. As flores também são diferentes. As dos ipês também são maiores. As flores das sibipirunas são pequenas e dão em cachos que se erguem do meio de suas folhas. Parecem enfeite de festa de criança.

Apesar de estarem plantadas por toda a cidade, as pessoas não sabem que árvore é aquela. Com certeza não é ipê, também não é quaresmeira, nem tipuana. As pessoas não sabem que árvore é essa, mas as sibipirunas não ficam tristes. A vida na cidade é assim mesmo.

Tem quem diga que as espatódias têm ciúmes e por isso fazem o que podem para desmerecer as sibipirunas. Não acredito nisso. Não há razão, a não ser as sibipirunas serem mais comuns nas fazendas paulistas. Como isso é pouco para gerar ciúme e as espatódias são orgulhosas e arrogantes, não perderiam tempo difamando as sibipirunas.

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Este ano as sibipirunas estão espertas. Entraram em cena exatamente entre os ipês amarelos e os rosas, por isto estão chamando a atenção.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.