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Vacinar um milhão por dia

 

O novo Ministro da Saúde falou em vacinar um milhão de pessoas por dia contra a coronavírus. Mais do que falar, assumiu o compromisso de fazer isso. Eu até entendo o Ministro, afinal, o Brasil é conhecido internacionalmente por ter uma das melhores redes de vacinação em massa do mundo. Para nós, nas campanhas de vacinação, é rotina vacinar mais de um milhão de pessoas por dia. Mas para isso tem que ter vacina.

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As vacinações de gripe, sarampo, etc., sempre tiveram as vacinas necessárias para serem usadas no momento da aplicação. Esse é o grande segredo da fala grandiloquente do Ministro. Ter vacina é tudo. Tendo vacina, as equipes bem treinadas dos postos de saúde dão conta do recado, confirmando o que ficou claro na pandemia: o SUS funciona.

O Ministro se lembrou do lado bom, mas parece que se esqueceu do lado não tão bom. Vacinar, nós vacinamos, tiramos de letra e ficamos bonitos na foto, mostrando para o mundo que saúde pública é assunto sério – quando deixam ser.

Esta é a parte que o Ministro esqueceu. O grande capitão, até agora, fez tudo o que pode para não ter vacina. E o resultado é exatamente este: o Brasil não tem vacinas suficientes para ir muito além de onde estamos.

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Já chegamos na casa de seiscentas mil vacinas aplicadas em um dia. É muito menos do que poderíamos fazer, se o país tivesse as vacinas que o grande capitão diz que já comprou, mas que nunca chegam, quando não vão embora, como aconteceu com a previsão para o mês de abril, na qual o total diminuiu em dez milhões de doses, porque a Fiocruz não deu conta de atender o que o governo disse que ela faria.

Ministro, vacinar nós vacinamos, mas para isso é preciso nos dar vacinas e aí a porca torce o rabo. A verdade é que os brasileiros estão virando jacarés porque a única vacina que temos é a do Instituto Butantan.

 

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.