A velha e o mar
Lucia Cortez Mendonça pode ser identificada de várias formas. Irmã de Raul Cortez; tia da Ana, mulher do João Mesquita; viúva do meu primo Joaquim Mendonça; minha amiga; mas para a crônica o que vale mesmo é que ela é uma grande poeta.
Eu sei que tem gente que vai reclamar e dizer que ela é poetisa. Até pode ser, mas eu não gosto de poetisa, mulher poeta é poeta. A Lúcia é poeta e ponto final, pelo menos na minha crônica.
Ela acaba de publicar “A Velha e o Mar”. Brincadeira com o título do grande romance de Ernest Hemingway, “A Velha e o Mar” é um grande livro, como livro substantivo e como livro de poesia.
Lucia entra de cabeça no que ela se propõe a fazer e faz bem-feito. A poesia é boa, os versos fluem, mas mais importante, Lucia se joga inteira no livro. Mais que tudo “A Velha e o Mar” é uma fotografia da poeta, um retrato de corpo inteiro da autora.
Ela não tem medo de se mostrar, de abrir o mais escondido, de colocar para fora o que os outros eventualmente não devessem saber. Para ela faz diferença. E a diferença está exatamente em contar para os outros o que os outros eventualmente não devessem saber.
“Hora de partir. Mas, Há anos O trem Não passa aqui” na simplicidade do poema a verdade se impõe e segue em sua lógica reta: “Quanto mais mergulho Em mim Mais perco o medo De boiar.” Para terminar simplesmente: “Vida!”
Aos 80 anos, Lucia assume sua identidade completamente. É mulher, sabe que é mulher, quer ser mulher e escreve: “ Por dentro Lido com feridas. Hoje, Sei de mim. Salva Podendo finalmente Ser e ter Uma história! Feita Mulher”.
Minha amiga seu livro é uma viagem dentro de você. Dentro de nós.
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