Simeão Bomfim Médico e Operador
[Crônica de 22 de junho de 2009]
A placa singela, de ferro esmaltado, pintada de branco com as letras em azul está encostada nos livros da estante da casa do poeta Paulo Bomfim. Memória de outro tempo, quando São Paulo era uma cidade menos alucinada, é simples, pequena, delicada e despretensiosa. Ou o contrário dos dias de hoje, quando quanto mais brilho e dourado melhor.
Seus dizeres são poesia pura: Simeão Bomfim – Médico e Operador. Nada de doutor, nem de cirurgião. Não, para que mais do que médico e operador? A mensagem é direta. Não necessita complemento, inclusive porque o nome em cima da qualificação diz quem é o profissional, conhecido e respeitado. Pra que mais?
São Paulo mudou no ritmo do mundo. Mas existem coisas que permanecem acima das mudanças, permanecem eternas. Entre elas a competência humana.
Pra que escrever mais do que médico e operador?
O fantástico é a separação entre a qualificação do médico e a sua habilitação para operar. Médico e operador.
Escrito numa placa de ferro-esmaltado pequena, discreta, para se colocar na porta do consultório, sem alarde, como convém a quem não precisa dizer que é.
Simeão Bomfim. Pai do poeta Paulo Bomfim que tem sua placa de ferro esmaltado estampada nas capas de seus livros. Paulo Bomfim poeta e escritor. Que não precisa fazer alarde, nem dizer que é, para ser reconhecido e homenageado como um dos maiores poetas da língua portuguesa. A diferença está na mensagem da placa: Quem é, é. Quem afirma que é ou grita que fez, nunca foi.
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