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A janela do meu escritório

[Crônica de 3 de setembro de 2001]

A janela do meu escritório tem uma vista privilegiada para quem mora na cidade de São Paulo. Através dela vejo árvores e um céu azul emoldurando prédios bonitos e bem tratados.

Não é uma vista comum na cidade. Em São Paulo os horizontes costumam ser curtos e sujos, exatamente ao contrário do horizonte da minha janela.

O verde é tão intenso dentro da paisagem que volta e meia me lembra a época que eu morava em Berlim, quando ainda tinha muro e andar de um lado para o outro podia ser muito complicado e, para um brasileiro, sempre emocionante.

Berlim é uma cidade rica, que naquele tempo apresentava um contraste impressionante, com o lado ocidental muito rico, muito arborizado e reconstruído e o lado oriental, também arborizado,  ainda mostrando as cicatrizes da segunda guerra mundial.

Mas se o lado ocidental era rico, não quer dizer que não abrigasse a miséria, quase tão grande quanto a miséria das favelas brasileiras, viva nos guetos ocupados pelos turcos que buscavam o país porque lá ganhavam muito mais.

Faz tempo que não volto a Berlim. Não sei o que aconteceu com seus bairros turcos, nem com que cara a parte oriental ficou depois da reconstrução.

Mas não faz tanto tempo assim, estive em Colônia e nessa cidade encantadora, abençoada e protegida por uma das catedrais mais bonitas do mundo, descobri que a Alemanha já não é a mesma de quando eu morava em Berlim.

A violência e a estupidez tomaram conta das ruas, como se fosse da raça humana dar voltas para sempre voltar ao começo, quando o homem em qualquer lugar do planeta era apenas mais uma besta fera.

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.