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É preciso reencontrar o bom senso

 

O mudo vai de ponta cabeça. E o Brasil vai junto. Fazia tempo que a polarização não alcançava um nível tão alto como agora.

Quem sabe na Guerra Civil Espanhola a coisa estivesse tão quente, mas mesmo lá, não sei se a falta de bom senso era tão perniciosa como é hoje.

Na década de 1930 de um lado estavam os nazistas, de outro os comunistas e no meio, apanhando de todos, os democratas, de todos os matizes, mais a direita, mais a esquerda e no centro.

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Na prática, nada era mais parecido com o comunismo do que o nazismo, mas as pessoas se matavam defendendo um lado ou o outro.

A questão era profundamente ideológica. Os dois lados davam suas razões baseadas em fatos, e teorias e livros e doutrinas, uma mais eficaz do que a outra, uma mais verdadeira do que a outra, uma mais definitiva do que a outra.

E morria gente e morria mais gente, alguns em nome da causa e da discussão, mas a maioria sem ter nada com isso. Morriam porque estavam no lugar errado, na hora errada, transformados na salsicha do cachorro quente, como aconteceu com os poloneses, exatos 80 anos atrás, espremidos pelos alemães e pelos russos, que foram vencidos em alguns dias para serem massacrados em alguns anos.

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Hoje a polarização é mais alienada. Ninguém, ou muito pouca gente, leu alguma coisa mais consistente, de um lado ou do outro, e os gurus de plantão se valem das redes sociais para colocarem suas ideias em termos de nós ou eles, pouco se importando se entre nós e eles existam milhões de pessoas que não têm nada com isso.

Diz a lenda, a história e a experiência que este tipo de polarização costuma acabar mal. Então, você que tem bom senso e ponderação, não deixe a coisa correr solta. O abismo é logo ali e o tombo será feio.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.