Amora no pé
Bom é comer amora no pé. Como eu sei? Porque na semana passada, durante minha caminhada pela USP, eu comi.
Eu sei que em teoria não seria época das amoras. Ainda estaria cedo para elas amadurecerem, mas o que eu posso fazer se elas estão maduras, pedindo pelo amor de Deus para serem colhidas e comidas?
O tempo delas seria mais para frente. Fim de setembro, outubro, mas alguma coisa fez as amoreiras anteciparem sua carga e elas decidiram amadurecer seus frutos agora. Sorte de quem caminha pela Cidade Universitária e dá com um pé carregado.
Eu poderia contar onde eles estão, mas não vou fazer isso. Quem quiser que os encontre. Afinal são muitos, espalhados pelo Campus, é só questão de ter paciência e procurar.
Alguém poderia dizer que eu sou egoísta, que quero as amoras só para mim. Até poderia ser verdade, se eu não soubesse que milhares de pessoas passam pelas calçadas da USP todos os dias. Quer dizer, a chance de ter amoras nos pés na semana que vem é praticamente nenhuma.
A vida é assim, e se as amoras duram pouco é porque tem mais gente aproveitando a festa e comendo amoras no pé. Faz parte dos rituais mágicos que dão sentido à vida na terra. Quem pode, pode, quem não pode ou não sabe, dança conforme a música e acaba sem comer as frutas que se oferecem nos espaços públicos, como dádivas da natureza.
Pois é, se a natureza entra de sola e destrói em tempestades, enchentes, chuvas de granizo, tornados e outras formas de abalar o ser humano, ela também dá as frutas das árvores plantadas pela cidade.
Eu sei que nem todo mundo vai comê-las. Fazer o que? É assim que as coisas são. Sorte faz parte do jogo e encontrar frutas maduras, como as amoras da USP, na hora certa é muito bom.