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Debater ou não debater

Covarde sei que me podem chamar… já dizia o velho samba. A questão é outra. Aqui ser covarde não é o mais importante, o importante é ganhar a eleição. Aliás como dizia o velho Dr. Ulisses, o deputado Ulisses Guimarães, que num certo momento foi o dono do Brasil, “em eleição a única coisa feia é perder”.

É disso que se trata, ganhar ou perder. Do jeito que o jogo vai, parece que duas candidaturas estão consolidadas. A do atual presidente e do Júnior, filho do ex-presidente. E, ainda que eles não leiam as pesquisas, suas equipes leem, então alguém já contou para eles como as coisas estão.

E estão boas para eles, até porque é isso mesmo que eles querem. O presidente tem certeza de que ganha do Júnior e o Júnior não tem certeza de nada, mas mesmo que perca, perdendo para o presidente, imagina que a família segue dona da direita nacional.

Se as previsões serão ou não validadas são outros quinhentos, neste momento, a leitura é essa, então bola pra frente e chuta de bico que o jogo é de taça.

É arriscado? É. Não sei se foi o Dr. Ulisses quem disse, mas eleição só se ganha depois de contar o último voto. Até agora ninguém votou e tem muita água para passar debaixo do viaduto até o dia da eleição. Aliás, os dias, porque a eleição é em dois turnos.

Voltando ao aqui e agora, será que tem sentido participar de um debate que não vai acrescentar muito mais voto, mas vai expor o cidadão aos ataques dos adversários? Ou seja, pode lhe tomar votos. Pra que?

Numa visão de estratégia política, faz sentido nenhum dos dois participar dos debates. Perde o eleitor? Tem quem diga que perde, mas será que perde mesmo? No ritmo que vai, as discussões não vão mudar muita coisa, exceto eventualmente tirar voto de quem está na frente.

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.