Debater ou não debater
Covarde sei que me podem chamar… já dizia o velho samba. A questão é outra. Aqui ser covarde não é o mais importante, o importante é ganhar a eleição. Aliás como dizia o velho Dr. Ulisses, o deputado Ulisses Guimarães, que num certo momento foi o dono do Brasil, “em eleição a única coisa feia é perder”.
É disso que se trata, ganhar ou perder. Do jeito que o jogo vai, parece que duas candidaturas estão consolidadas. A do atual presidente e do Júnior, filho do ex-presidente. E, ainda que eles não leiam as pesquisas, suas equipes leem, então alguém já contou para eles como as coisas estão.
E estão boas para eles, até porque é isso mesmo que eles querem. O presidente tem certeza de que ganha do Júnior e o Júnior não tem certeza de nada, mas mesmo que perca, perdendo para o presidente, imagina que a família segue dona da direita nacional.
Se as previsões serão ou não validadas são outros quinhentos, neste momento, a leitura é essa, então bola pra frente e chuta de bico que o jogo é de taça.
É arriscado? É. Não sei se foi o Dr. Ulisses quem disse, mas eleição só se ganha depois de contar o último voto. Até agora ninguém votou e tem muita água para passar debaixo do viaduto até o dia da eleição. Aliás, os dias, porque a eleição é em dois turnos.
Voltando ao aqui e agora, será que tem sentido participar de um debate que não vai acrescentar muito mais voto, mas vai expor o cidadão aos ataques dos adversários? Ou seja, pode lhe tomar votos. Pra que?
Numa visão de estratégia política, faz sentido nenhum dos dois participar dos debates. Perde o eleitor? Tem quem diga que perde, mas será que perde mesmo? No ritmo que vai, as discussões não vão mudar muita coisa, exceto eventualmente tirar voto de quem está na frente.